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Como Salvar um Mundo Doente
 
 
Como Salvar um Mundo Doente
Ciclo de conferências "Pensar a Economia: dez livros, dez debates fundamentais" - 19 de maio | Culturgest | 17h30

No próximo dia 19 de maio, pelas 17h30, irá realizar-se a quinta conferência deste ciclo, intitulada "Como Salvar um Mundo Doente".

Esta sessão contará com a presença do autor do livro, Eduardo Paz Ferreira, e com os comentários de Ricardo Paes Mamede e Manuel Castelo-Branco.

Inscrição gratuita através de envio de e-mail para: caixageraldedepositos@cgd.pt.

 

Sobre a sessão

No ano de 2001 e, na sequência, de vários outros livros de reflexão sobre o estado da economia da sociedade e as suas perspectivas de futuro, escrevi Como Salvar um Mundo Doente, procurando responder ao apelo do Papa Francisco que denunciara a fisionomia de um mundo doente não só por causa do vírus, mas também no meio ambiente, nos processos económicos e políticos, e mais ainda nos relacionamentos humanos.

No tempo, entretanto, decorrido, a pandemia COVID 19 enfraqueceu e perdeu a sua centralidade mas, tal como se previa no livro, novas catástrofes surgiram rapidamente, com natural relevo para a invasão da Ucrânia pela Rússia, enquanto os problemas sociais, com relevo para a desigualdade e para as migrações se agravavam.

Independentemente da gravíssima questão da Ucrânia, continuam a fazer sentido as soluções que aponto no livro e que passam pelo insubstituível papel do Estado, bem patente nas respostas sanitárias e sociais destinadas a assegurar a prestação dos adequados cuidados aos doentes e apoios a empresas e trabalhadores em dificuldades.

Os cuidados com os idosos institucionalizados constituem outra prioridade que só com apoio do Estado é possível garantir em regime de universalidade. Os meios da escola pública, a criação de condições que inviabilizem quebras graves nas aprendizagens. A saúde, em geral e, em particular a saúde mental, que carecia já de uma atenção dedicada, face aos indicadores nacionais, a exigir agora um reforço de atenção, em decorrência dos efeitos da pandemia. A melhoria das condições de habitação e de trabalho, dignificando-as.

O reforço do Estado prefigura-se como uma inevitabilidade, se queremos ter sociedades capacitadas para responder a esta e outras emergências. E o esbater das desigualdades, com a possibilidade de uma vida mais digna para todos, perfila-se hoje como um interesse comum, ainda que alimentado por motivos egoístas. A pandemia trouxe à luz os riscos de propagação de doenças associados a más condições de habitabilidade ou de trabalho... 

É, no entanto, prematura qualquer previsão quanto às alterações que ocorrerão nas nossas sociedades, com influência no nosso modelo de vida em comum. Devemos ter uma consciência aguda de que, sendo esta uma oportunidade de mudança positiva, devemos agir para favorecer a sua concretização, já que a par de quantos quererão essa mudança, continuarão a perfilar-se os que estão dispostos a tudo para defender interesses egoístas, ainda que à custa de sacrifícios e da vida dos demais. A nova sociedade a constituir, idealmente, não deve assentar num confronto permanente entre público e privado, mas antes num trabalho comum que aproveite aquilo que cada um sabe fazer melhor.

É cada vez mais importante debater aprofundadamente estas questões e, por isso, inseri no ciclo pensar economia, organizado pelo IDEFF da Faculdade de Direito de Lisboa e pela Caixa Geral de Depósitos, o debate desse livro, que será apreciado por Ricardo Paes Mamede e Manuel Castelo Branco que gentilmente acederam ao meu pedido.

Ricardo Paes Mamede é um dos mais importantes economistas portugueses e dos mais inteligentes observadores sociais, políticos e económicos. Manuel Castelo Branco é um humanista, profundamente empenhado nas causas cívicas. Foi presidente da Business School of Coimbra.

Seria um grande privilégio se me desse o prazer de participar na sessão que se realiza na CULTURGEST, pelas 17 e 30, do próximo dia 19 do corrente.

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Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa