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ACADEMIC VALUE PORTUGAL
 
 
ACADEMIC VALUE PORTUGAL
Rua dos Caetanos 18, 1200 Lisboa - ALEXANDRE VAZ PEREIRA

Havia um escritor e crítico literário norte-americano que se aborrecia por lhe estarem sempre a pedir opiniões, pareceres, revisões, comentários, introduções, apresentações; por o estarem sempre a convidar a participar em painéis, palestras, conferências, etc. Tanto que mandou imprimir o seguinte cartão:
 
Edmund Wilson regrets that it is impossible for him to:
Read manuscripts, write articles or books to order, write forwards or introductions, make statements for publicity purposes, do any kind of editorial work, judge literary contests, give interviews, take part in writers' conferences, answer questionnaires, contribute to or take part in symposiums, or "panels" of any kind, contribute manuscripts for sales, donate copies of his books to libraries, autograph works for strangers, allow his name to be used on letterheads, supply personal information about himself, or supply opinions on literary or other subjects.

Mandei  cópia do cartão a  alguns amigos, escrevendo no cabeçalho  BONS TEMPOS.

O meu contabilista respondeu com um email algo abrupto ("POIS É ALEXANDRE") : rasurado a negro vinha Edmund Wilson regrets to inform that it is impossible for him to ", e, no seu  lugar , em grossas maiúsculas, Alexandre Vaz Pereira is delighted to inform that  it is now possible for him to  (e o resto era igual). 

E foi esta a génese inglória do Academic Value Portugal
         
Mais a sério:

A minha ideia é lançar um projecto que forneça um serviço sério e competente na área a que se convencionou chamar scholalry editing.
 
Destina-se a investigadores portugueses na área das ciências  sociais e humanas, que necessitem publicar em revistas internacionais de referência de língua inglesa, e precisem de ajuda com o estilo, organização e bite do que escreveram, bem como de uma apreciação analítica geral.  
 
Excepcionalmente, prestar-se-ão também serviços de retroversão. Mas é ao investigador que escreve já em inglês razoável que este projecto se dirige em primeiro lugar. Não foi concebido para "corrigir o inglês" ou para "pôr em inglês", serviços para os quais há ampla oferta no mercado. 
 
 A pressão para que investigadores portugueses publiquem internacionalmente intensificou-se na última década (ver e.g. a recente iniciativa da Gulbenkian, o Programa para a Internacionalização das Ciências Sociais em Portugal, em http://www.gulbenkian.pt/section65artId1947langId1.html);  as publicações que contam, na consideração de candidaturas a bolsas europeias - e passo a citar no original texto do Conselho Europeu de Investigação - são aquelas feitas em "major international peer-reviewed multi-disciplinary scientific journals and/or leading international peer reviewed journals.(ftp://ftp.cordis.europa.eu/pub/fp7/docs/wp/ideas/l-wp-201101_en.pdf)

E porém, a inscrição normativa desta exigência nos protocolos dos departamentos universitários e centros de investigação  raramente é acompanhada  por  políticas que mobilizem, coordenem e afectem racionalmente recursos financeiros, organizacionais e intelectuais para esse fim.


 Este projecto não pretende ser uma resposta do mercado a uma lacuna institucional. O objectivo é trabalhar  para igualizar as condições de acesso de investigadores em Portugal a publicações internacionais de topo na sua área. Em parceria com universidades públicas e privadas, fundações e Estado, na prossecução de um serviço de interesse público.
 
O projecto está vocacionado para  as seguintes áreas: História, Filosofia, Teoria do Direito, Direito Constitucional, História Económica, Teoria social e Política, Sociologia, Relações Internacionais, Estudos Culturais, Science Studies, Estudos Críticos e Literários. 
 
Os trabalhos de edição/revisão serão supervisionados por alguém que, além de possuir experiência de investigação doutoral fora de Portugal, num contexto multilinguístico, se tenta manter familiarizado com o state of the art em várias disciplinas e, nessa medida, poderá funcionar, fora do sistema académico, como interlocutor privilegiado.

Uma última palavra:
 
É ingénuo, e mesmo absurdo,  imaginar que o acesso dos investigadores portugueses à publicação internacional se constrói apenas com um uso mais elegante e perspícuo do inglês . A ‘barreira linguística’  não é a única, nem sequer a mais importante barreira ao ‘reconhecimento internacional’ da investigação nacional.
 
Muitas teses e ensaios de investigadores portugueses, ainda se expressos no inglês mais sofisticado do mundo, arriscar-se-iam, temo, a ser consideradas pela comunidade internacional de scholars  como   'luggage',
palavra que é definida no Dicionário do Dr. Johnson como 'anything with more bulk than value’. 
 
 No limite, o que se tem de tornar mais ágil, claro e penetrante é o próprio jargão universitário português. 
 
Este projecto gostaria pois de ser visto como uma contribuição modesta- mas não insignificante -  para  uma escrita académica portuguesa com  "mais valor do que volume." 

 

ACADEMIC VALUE PORTUGAL
Alexandre Vaz Pereira
alexandre.v.pereira@gmail.com

 TLM 918394080

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